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Muito além da engenharia: a trajetória de Wanderley Peres na construção de Indaiatuba
Engenheiro, professor e amante da cultura, ele ajudou a estruturar o crescimento de Indaiatuba e deixou um legado que segue presente no cotidiano da cidade.
Antes de Indaiatuba se consolidar como uma cidade organizada, com infraestrutura eficiente e forte identidade cultural, houve quem pensasse seu crescimento com visão de longo prazo. Entre esses nomes, Wanderley Peres ocupa um lugar de destaque. Engenheiro, professor, músico, escritor e livre pensador, ele construiu uma trajetória marcada pela dedicação ao desenvolvimento da cidade em diferentes frentes.
Nascido em 14 de maio de 1940, na cidade de Monte Mor, Wanderley chegou ainda jovem a Indaiatuba, onde formou sua vida pessoal e profissional. Desde cedo demonstrava inclinação para os estudos e, ainda adolescente, foi reconhecido como um dos melhores alunos de sua turma, sinalizando o caminho de excelência que seguiria ao longo da vida. Sua formação passou pelas áreas de Ciências e Matemática até chegar à Engenharia Civil, profissão que o colocaria diretamente no centro das transformações urbanas do município.
Ao longo das décadas de 1970 e 1980, período em que Indaiatuba vivia um crescimento acelerado impulsionado pela industrialização, Wanderley Peres assumiu um papel estratégico no Serviço Autônomo de Água e Esgotos, o SAAE. À frente da autarquia em dois períodos, sua atuação foi decisiva para estruturar o sistema de abastecimento e saneamento em um momento em que a cidade precisava se preparar para o futuro. Não se tratava apenas de acompanhar o crescimento, mas de antecipá-lo.
Foi sob sua gestão que importantes ampliações e melhorias foram implementadas, garantindo que a cidade pudesse expandir sem comprometer serviços essenciais. Sua visão era clara e direta, sintetizada em uma frase que ficou marcada: “água para Indaiatuba até o ano 2000”. Mais do que um objetivo técnico, a expressão traduzia uma forma de pensar a cidade com responsabilidade e planejamento.
Paralelamente à engenharia, Wanderley também deixou sua marca na educação. Por mais de vinte anos, atuou como professor de Física, Matemática e Desenho Geométrico na Escola Estadual Dom José de Camargo Barros. Em sala de aula, era reconhecido não apenas pelo domínio dos conteúdos, mas pela capacidade de formar alunos com pensamento crítico e disciplina. Em uma época com menos recursos pedagógicos, o professor tinha papel central, e Wanderley exerceu essa função com rigor e inspiração.

Mas sua trajetória não se limitou à técnica e ao ensino. Havia também uma forte dimensão artística. Envolvido com a cultura local, participou de festivais de Música Popular Brasileira em Indaiatuba, conquistando reconhecimento como compositor e intérprete. Escreveu para jornais, atuou em rádio e manteve uma presença ativa no cenário artístico, sempre atento às expressões humanas e à identidade da cidade.

Essa combinação entre lógica e sensibilidade revela um perfil incomum. Wanderley transitava com naturalidade entre a exatidão da engenharia e a subjetividade da arte, enxergando a cidade não apenas como um espaço físico, mas como um ambiente de convivência, cultura e construção coletiva.
Sua inquietação intelectual o levou ainda a explorar outros campos do conhecimento. Participou de iniciativas ligadas à linguagem, à filosofia e a estudos diversos, demonstrando uma mente aberta e curiosa, característica de quem nunca se limitou a uma única área.
Na vida pessoal, construiu uma família igualmente ligada ao serviço público e à educação. Ao lado da professora Maria Bernardete Amgarten Peres, formou uma base sólida de valores que também se refletiu na trajetória do filho, Alexandre Peres, que seguiu caminhos semelhantes na engenharia e na vida pública.

Com sua morte, em 9 de julho de 2001, Indaiatuba perdeu uma de suas figuras mais completas. A comoção da época refletiu o reconhecimento de uma trajetória construída com consistência e compromisso. Em sua homenagem, o município eternizou seu nome no Centro Cultural Wanderley Peres, instalado em um dos prédios históricos mais importantes da cidade, na Praça Dom Pedro II. O espaço, dedicado à arte e à convivência, simboliza com precisão o legado que ele deixou.
Mais do que obras, cargos ou homenagens, Wanderley Peres permanece presente na estrutura da cidade e na memória de quem conviveu com seu trabalho. Está na água que chega às casas, no conhecimento transmitido a gerações de alunos e na cultura que ajudou a fortalecer.
Sua história é a de alguém que compreendeu, ainda cedo, que construir uma cidade vai muito além do concreto. É também formar pessoas, incentivar a cultura e pensar o futuro com responsabilidade. Em Indaiatuba, esse legado continua vivo, silencioso e essencial, como as bases que sustentam tudo o que veio depois.

